ATO I

Poetas loucos

marginais

 

1  Lucidez Vitoriano
2  Pra ficar maluco Vitoriano
3  Da ladeira Vitoriano
4  Igualzinho aos diferentes Cid e Vitoriano
5  So long (Nau dos Insensatos) Vitoriano
6  Wild ones Vitoriano
7  Para manter a loucura estável (parte 1) Vitoriano

LUCIDEZ

Vitoriano

arte: Klaus Sena

 

Lucidez, como foi que eu te perdi?
Já não lembrava mais teu nome
Já não sabia mais de ti
Percorri tantos caminhos e sem saber caminhar
Por entre flores e espinhos eu me arranhei
Lucidez, como foi que eu me iludi?
Queria ser seu dono e ter você só pra mim
Mas no fim tudo era um sonho e eu não quis acordar
Um pesadelo medonho que eu mergulhei

 

PRA FICAR MALUCO – parte 1

Vitoriano

arte: Cão Fila

 

Parti transacionado na avenida leste,
Eu podia estar dormido ou qualquer coisa parecida
Eu podia estar sofrendo de esquizofrenia,
mas o que eu queria mesmo era Só ficar maluco,
ficar maluco, só ficar maluco, ficar maluco
Tudo isso que eu queria ser, era letra mais linda do seu dicionário
O que fugia a mente na filosofia louca do abecedário é de ficar maluco
Fiquei posicionado: - Na esquina desce!
É tanta coisa nessa vida, chegadas e partidas
Eu podia estar curtindo a velha nostalgia,
Mas o que eu queria mesmo era ficar maluco!
ficar maluco, só ficar maluco, ficar maluco
Tudo isso que eu podia ter sido, vou desenhar no livro do meu inventário
A poesia solta na geografia viva do itinerário é de ficar maluco
Pra ficar maluco todo doido tem motivo, todo santo tem
Ácaros em ar-condicionados
Plásticos e peixes no aquário
Eu fico louco e alucinado quando a lua cresce
Sou lunático de nascença já sei, eu tenho consciência
Poderia estar vivendo só de fantasia
Mas o que eu queria mesmo era ficar maluco!
Ficar maluco, só ficar maluco, ficar maluco
Tudo isso que eu não sei dizer é o preto no branco no negro do quadro
O que deságua na cachaça e na sangria linda do imaginário
É de ficar maluco!

 

DA LADEIRA

Vitoriano

arte: Sandro Saraiva

 

Descendo a ladeira esperando te encontrar e você não estava lá
Você não quis me encontrar
Deprimido reprimido espremido
Comprimido na esquina e o sol a me queimar e você não estava lá
Agora essas nuvens cinzas se aproximam feito rimas, vêm girando pelo ar
Perdendo a cabeça procurando esquecer e você não estava lá
Você não quis compreender
Complicado embaçado perturbado
escrachado na esquina vendo o mundo desabar e você não estava lá
Agora tudo é repetido que nem cantiga de grilo que não quer mais acabar
Na madrugada afora se lamentando, juntando os pedaços de um ledo engano
Das mesmas flores de um mesmo jardim e as mariposas já não querem mel
E eu nem consigo olhar pro céu
Por toda a madrugada, perdendo a calma
E os discos voadores nunca irão pousar
E é por que marte já não é aqui
E tanta coisa já ficou pra trás que eu já nem me lembro mais
Descendo a ladeira, descendo a ladeira sem você

IGUALZINHO AOS DIFERENTES

Cid e Vitoriano part. Juliano Gauche

arte: Jonas Gomes

 

Alto lá quem vem chegando de repente
Com a mesma cara, fala estranha como sempre
Caminhando sem direção igualzinho aos diferentes
Aquele olho procura não sei o quê ou quem
Tá tão cansado desse vai e vem
Um velho olho sempre encontra um velho alguém
Igualzinho aos diferentes
A dor no peito tem tamanho sim
É do tamanho do seu peito todo
Ai quem me dera um dia amar assim
Pra todo mundo me chamar de louco
Igualzinho aos diferentes
Olha lá quantos caminhos pela frente
Há um que salva, um que mata e outro que mente
Impassível na contra-mão igualzinho aos diferentes
Aquele corpo, um esboço, uma abstração
São os pedaços divididos do seu coração
Um velho corpo abriga tantos e até ninguém
Igualzinho aos diferentes

SO LONG

Vitoriano

arte: Taiana Selbach

 

Insensatos marinheiros naufragantes
navegantes de memórias ancestrais
So long so long
Habitantes das veredas tortuosas de Cervantes
são amantes de mocinhas infantis
How long how long?
As caravelas, os boçais anseiam fortuna e glória
saqueadores, piratas imorais aportam na beira do cais
So long so long So long so long
homicidas marionetes, mandarins
enfeitados em seus trapos de cetim
So long so long
Clows malvados, condenados, escarrados e pedantes
ignorantes viciados em marfim
How long, how long?
Poetas loucos marginais deitados fora como escória
são o retrato dos nativos e locais enquanto a cidade se desfaz
So long so long So long so long

WILD ONES

Vitoriano part. Bárbara Eugênia

arte: Thyago Cabral

 

See that light in the sky all the way
See the answer
If we are just alive or going insane
All those dreams ramain the same
If we don´t make it, if we don´t make it nobody can be blame
See that man in the crowd on his way
He looks so sad or we all are going mad
All that we use to know is so sad
You´re really only free, you´re really only free in your head
All things have changing or are we living in another time
Looking for the chance of living in rhymes
We are the wild ones, or are we only passing time?
Searching for having only poetry in our lives
War in the town exploding
Love coming down blowing
love in the town burning
And our lives remain the same

PARA MANTER A LOUCURA ESTÁVEL – parte 1

Vitoriano

arte: Manu Romeiro

 

As ruas estão vazias e eu caminho em linhas tortas
perdido e à procura de abrigo por isso estou batendo em sua porta
As nuvens são azuis e o céu é vermelho
não quero ver meu rosto sangrando de novo no espelho
Mas sei que o amor é algo assim inalcançável
pra alguém trancado em si mesmo mantendo a loucura estável
Estou apenas tentando manter a loucura estável
para manter a loucura estável
 
Na madrugada fria a neblina esconde as mágoas
disfarço o peso em meu corpo pois carrego os olhos rasos dágua
Agora Inês é morta não podemos fazer nada
está passando um filme de terror nessa cidade fantasma
Pra combater a criatura abominável
É preciso manter a loucura estável
Estou apenas tentando manter a loucura estável
para manter a loucura estável

CONTATO IMEDIATO

Vitoriano

arte: Patricia Passos

 

Ah perdi toda a vontade de correr
Nem sei se eu quero estar em qualquer outro lugar
Há pessoas que trafegam por aí correndo sem parar
Na pressa insana de chegar
A cidade não espera por você
E não tem velocidade que alcance a eternidade
É quando eu paro um pouco pra pensar
Um instante pra entender o que é que há de se fazer
Não sei se me perco ou embalo ou me jogo pelo ralo
Das ruas o caos, da terra o sal e os castelos no quintal
Já corri demais, já perdi demais e no mais, tanto faz
Tanta coisa mudou, quanto tempo passou
Tudo ficou pra trás já não sei quem sou ou quem não sou
É de improvisação e contato, do que for imediato
Romance astral, juízo final e no hospício o carnaval!

INJETADOS

Vitoriano

arte: Rafael Limaverde

 

Estou ao sol do pingo meio-dia, estou num trânsito ferrado
Minha cabeça está tranquila, não estou um pingo estressado
Você no seu ar-condicionado com seus vidros tão fechados
Não entende e nem percebe o que se passa ao seu lado
Então buzinem seus automóveis injetados
Então buzinem seus automóveis estressados
Então buzinem seus automóveis
Estou tão só no meio desse dia, mas não me sinto tão cansado
Ainda me resta uma alegria, vivo o meu sonho acordado
Você, enquanto fuma seu cigarro, se sentindo tão guardado
Não enxerga nem alcança que é você quem está armado
Então buzinem seus automóveis injetados
Então buzinem seus automóveis estressados
Então buzinem seus automóveis

DAS PAREDES

Vitoriano

arte: Walfrido Monteiro

 

As paredes do meu quarto já não querem me escutar
A janela lateral não está mais no lugar
Os portões da minha casa desistiram de se abrir
Os ponteiros do relógio não vão esperar por mim
As lembranças espalhadas pelo chão que eu tropeço sem querer
São seus labirintos negros em que eu já cansei de me perder
Toda vez que eu enlouqueço eu me pergunto o que eu estou fazendo aqui
E eu nem vou matar um passarim pra preencher o meu vazio do existir
E eu não vou deixar de viajar até não ter mais condições
Mas eu não vou ficar aqui no meio dessas transações
Os meus Lps na sala já não tocam mais pra mim
Quantas vidas eu sonhei nas canções que eu ouvi
De todo o amor que eu te dei não sobrou nenhum vintém
Estou preso a você e ao mesmo tempo não pertenço a ninguém
Nos castelos de areia do quintal uma guerra está prestes a estourar
A minha vida sempre foi um caos mas nada basta pra me consolar
Tanto amor e tanta fúria jamais vou entender qual a razão
No redemoinho da cabeça, um tormento, uma tempestade, um furação

26

Vitoriano

arte: Fabio Lopes

 

Quando eu comecei a colar fotos nas paredes do meu quarto de sonhar
Logo percebi que eu não podia mais me enganar
Quando eu comecei a jogar, logo reparei não podia parar
E naquele instante e no mesmo lugar eu não iria mais voltar
Aos vinte e seis anos de idade eu me mudei pra outro lugar
foi quando eu entendi que na verdade eu era jovem demais pra me matar

BALADA DO ANJO TORTO

Vitoriano part. Edgard Scandurra

arte: Davi Serrano

 

Guel você foi feito pra brilhar, mas não passa de um grande sonhador
Perde muito tempo e acha sempre que não vai ganhar
E nem sequer pode dizer que tentou
Guel, pelas ruas da cidade onde nasceu
As pessoas que você costuma andar
Nada disso faz sentido pra você
Run from the hell e tente mais olhar pro céu
Vai Miguel, há muita vida em você hold it well
Vai Miguel, sempre é tempo de aprender hold it well
Guel, a vida não é pra esperar na esquina vendo tudo acontecer
Nem rodar o mundo inteiro tentando encontrar
Se a resposta está dentro de você
Guel, esses dias que você não acordou
Essas tardes que você não reagiu
Lhe restou alguma força pra seguir
Why don´t you see?
Only you can make you free

DE OLHOS FECHADOS

Vitoriano part. Bárbara Eugênia

arte: Mag Magrela

 

Se você quiser eu posso fechar os olhos
É só você pedir e eu não enxergo mais
Se você falar eu posso ficar mudo
É só você sorrir e eu não falo mais
Mas não fico sem você
Sozinho eu não fico mais
Mas não fico sem você
Sozinho eu não fico mais

HIGHS AND LOWS

Vitoriano

arte: Dhiovana Barroso

 

Every time I hear the sound of people crying
everywhere I see the world bringing things that we all know no one can take
but today I´ve just found my soul
I got lonely dreams and no big deals I know
I live for now and here between the highs and lows
anyway anyway anyway
when I am sad I look around to find somebody friendly
but anywhere I go they only want materials things that don´t remain
but today I´ve  just found my soul
I got lonely dreams and no big deals I knowI live for now and here between the highs and lows
everyday everyday everyday
every day I see this darkness coming down slowly
every night I feel this fire burnig in my heart this lonely room
but today I´ve  just found my soul
I got lonely dreams and no big deals I know
I live for now and here between the highs and lows

S.O.S

Vitoriano

arte: Diego Maia

ATO II

A balada

do anjo torto

 

8  Contato imediato Vitoriano
9  Injetados Vitoriano
10  Das paredes Vitoriano
11  Vinte e seis Vitoriano
12  Balada do anjo torto Vitoriano
13  De olhos fechados Vitoriano
14  Highs and Lows Vitoriano
15  S.O.S (instrumental) Vitoriano